terça-feira, 24 de abril de 2012


Até que a morte nos separe?

O templo, as flores, os convidados, a apreensão do noivo no altar, as marchas nupciais de Mendelssohn e Wagner anunciando a entrada triunfal da noiva, o brilho do vestido branco, a grinalda, as damas de honra, os olhares fixos, as palavras do padre, as alianças, o inesquecível “sim”, o beijo de entrega total, a chuva de arroz, a festa e a lua de mel ainda fazem parte da memória e do álbum de fotografias de muitos que tiveram a privilegiada oportunidade de comungar sonhos e esperanças. Contudo, a sociedade tem sofrido, durante os últimos anos, incontáveis mudanças, principalmente no tocante às relações afetivas. Perdeu-se nas brumas do passado a promessa que soava como celestial: "até que a morte nos separe".
O princípio do amor eterno, representado nos romances pelo “Felizes para sempre”, por muito tempo arrancou suspiros e povoou o imaginário de gerações, mas permaneceu aprisionado no final de livros e filmes. O conceito do casamento indissolúvel se relativizou e admite-se o lógico: se os seres humanos são suscetíveis a erros, é possível errar a escolha do companheiro.
O mundo moderno sepultou o conservadorismo da legislação, como vaticina a teoria de Miguel Reale (fato, valor e norma), abrindo espaço para a busca de laços estruturados em afinidade, companheirismo e desejo. Aquela expressão utilizada nas cerimônias de casamento ganha novos contornos, sendo atualmente interpretada como “até que a justiça nos separe” e, com isso, começar uma nova vida.

Um comentário:

Anônimo disse...

Nossa. Que site mais legal.... Sqn.