Até que a morte nos separe?
O templo, as flores, os convidados, a apreensão do noivo no altar,
as marchas nupciais de Mendelssohn e
Wagner anunciando a entrada triunfal da noiva, o brilho do vestido
branco, a grinalda, as damas de honra, os olhares fixos, as palavras do padre,
as alianças, o inesquecível “sim”, o beijo de entrega total, a chuva de arroz,
a festa e a lua de mel ainda fazem parte da memória e do álbum de fotografias
de muitos que tiveram a privilegiada oportunidade de comungar sonhos e
esperanças. Contudo, a sociedade tem sofrido, durante os últimos anos,
incontáveis mudanças, principalmente no tocante às relações afetivas. Perdeu-se
nas brumas do passado a promessa que soava como celestial: "até que a morte nos separe".
O princípio do amor eterno, representado nos romances pelo
“Felizes para sempre”, por muito tempo arrancou suspiros e povoou o imaginário
de gerações, mas permaneceu aprisionado no final de livros e filmes. O conceito
do casamento indissolúvel se relativizou e admite-se o lógico: se os seres
humanos são suscetíveis a erros, é possível errar a escolha do companheiro.
O mundo moderno sepultou o conservadorismo da legislação, como
vaticina a teoria de Miguel Reale (fato, valor e norma), abrindo espaço para a
busca de laços estruturados em afinidade, companheirismo e desejo. Aquela
expressão utilizada nas cerimônias de casamento ganha novos contornos, sendo
atualmente interpretada como “até que a justiça nos separe” e, com isso,
começar uma nova vida.
Um comentário:
Nossa. Que site mais legal.... Sqn.
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