quarta-feira, 16 de maio de 2012


UM ROSTO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Parte I

Menina-moça

Menina-moça: a expressão carrega em si mesma uma perfeita combinação do que representa essa fase da vida de uma “não mais criança” e “ainda não mulher”. Cantada em prosa e em verso mundo afora, as adolescentes são como uma lufada de esperança, de sonho, de encanto. Fazem parte de um seleto grupo de mocinhas que, ao ver a luz do sol entrar pelas frestas dos casulos, já se sentem borboletas experientes, capazes de longos e seguros vôos pelos jardins da vida. Mergulhadas na mais densa ingenuidade, ignoram elas os perigos representados pelas intempéries da existência.

Acostumadas a viverem praticamente só entre os membros da própria família, protegidas pelos carinhos, cuidados e zelos dos pais, elas gostam do que toda garota de sua idade gosta: objetos cor de rosa, papel de carta decorado, poesias, alegria, música e descobertas. Qual menina não quer ir ao show de seus ídolos? Sair com as amigas para tomar sorvete na praça?

Qual menina, feito mandacaru florando na seca, não se pinta de manhã cedo, suspirando acordada? Nos idos de 1953, o mestre Luiz Gonzaga já cantava o desabrochar da menina-moça, que adoecia de amor, deixando o pai preocupado e dando trabalho para os profissionais de saúde.

Outro mestre, ainda mais antigo, também fala desse amor pueril. Machado de Assis, em 1870, descreve com sua pena incomparável o comportamento ora “recatado” ora “estouvadinho” desse ser que ele chama de “adorável e divino”, pois que essa é uma fase que “não é dia claro e é já o alvorecer; entreaberto botão, entrefechada rosa, um pouco de menina e um pouco de mulher. [...] Procura-se a mulher e encontra-se a menina. Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher!.”

Menos românticos e mais realistas são os estudos e leis elaborados para cuidar e proteger esses seres que, por sua imaturidade, são vítimas fáceis de gente inescrupulosa. Seguindo esses estudos a Organização das Nações Unidas - ONU definiu como criança toda pessoa com idade inferior a 18 anos.  E, portanto, adulto qualquer um acima disso. 

Desde 1990, ou seja, há vinte anos, vigora no Brasil o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). E a principal razão de sua existência é a falta de respeito por parte de alguns adultos pelas crianças e adolescentes, enquanto seres mais frágeis, cuja proteção É PAPEL DE TODA A SOCIEDADE, segundo a Carta Magna.

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